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Beijo de Judas

>> quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Eu me dignifico a conter-me nessa auto análise, pois não existe argumento plausível, motivo considerável ou desculpa arranjada que explique a fé na sinceridade. Para mim, ela é deus extinto, força esquecida, talvez uma fábula. Isso não significa diretamente que eu me ponha a mentir a cada instante dessa vida, mas que quanto mais tento ser o que acredito ser, mais esbarro com a falácia.




Nas vozes mais meigas, saboreio o veneno... nos toques mais suaves, me arranham os espinhos... nas atitudes mais amigáveis, sinto golpes... nos rostos mais simpáticos, distingo máscaras sutis. A leve marca nas extremidades do rosto que separa tua verdadeira face daquela que aparenta é amplamente invisível a quem ainda tem esperança. O implacável sabor adocicado da mentira desata as mais harmônicas relações sociais. As aparências enganam... e como são eficazes nisso. Acredito que isso ocorra porque as pessoas desejam se deixar enganar.

O Interesse, companheiro fiel da Falsidade, baila entre os objetivos mais inimagináveis. A sociedade se desfaz e se refaz introduzindo em seu meio a política de que o amor existe. Às vezes me pego pensando que este é outro deus extinto... outro joelho caído por terra diante das forças tenebrosas do Beijo de Judas.





Beijo... doce expressão de afeto que tem dado vida as mais aparentes relações do extinto amor. Tomou Judas este ato e denegriu o uso do beijo quando encostou seus lábios deturpados em face santa com o intuito de apontar para a morte sua mais digna vitima. Podemos estabelecer deste antigo ocorrido o início de uma geração de Judas, que se beijam e se abraçam, fazem declarações de afeto, e em seu coração guardam os mais repugnantes pensamentos. Destes, afasto-me... e tenho-me tornado o resquício de dores e uma solitária nada preterida.





Não sou imaculada, pois herdei fragmentos da genética traidora. Inclinações são correntes intensas, mas lutar contra elas nunca é em vão. Garanto que entre afagos quentes e mentirosos e o inverno da verdade... prefiro indiscutivelmente morrer de frio.





Quando a família não aceita o namoro

>> quarta-feira, 16 de novembro de 2011


Depois de muita busca, muita conversa e alguma frustração, de repente, como num passe de mágica, você finalmente encontrou aquela pessoa que buscava. Ele era tudo com que você sonhava, o que te fez crer que a felicidade enfim bateu à sua porta. Vocês se gostam, têm muitas afinidades, se entendem e o mais importante: os dois desejam estar juntos. Nada poderia estragar ou mesmo abalar toda essa felicidade... Será?



Então chega o dia em que finalmente você vai apresentar o felizardo para sua família. Tudo corre bem, todos são muito educados e corteses, mas, quando ele vai embora, sua família mostra ter implicado com seu namorado. Seu pai acha que ele não ganha bem o suficiente para estar com você, sua mãe acha que seu ex era muito mais bonito, seu irmão pensa que você merecia coisa melhor. Resumindo a ópera, sua família simplesmente não aceitou seu namorado. E agora, o que fazer?



De uma hora para a outra, você se vê como que no meio de um grande cabo de guerra. De um lado está sua família, que você sempre valorizou e considerou ao extremo, e de outro o amor que você encontrou, mais recente, mas certamente tão importante quanto. Como sair desta cilada?



Em primeiro lugar, é importante dizer que as famílias são muito diferentes entre si, e é preciso levar isso em consideração ao pensar neste assunto. Há pais que implicam com todos os relacionamentos dos filhos, mas há também famílias que não têm problemas quando um de seus membros está se relacionando com alguém, e a rejeição ao namorado é algo pontual. Antes de qualquer coisa, identifique qual o estilo de sua família, pois a partir disso você poderá pensar melhor o que fazer.



Penso que, quando a família não é de implicar à toa com os(as) companheiros(as) dos filhos, não custa nada parar e pensar se ela tem alguma ponta de razão. Isso não significa abrir mão, automaticamente, do seu amor. Significa apenas que você pode pensar sobre isso e chegar à sua própria conclusão. De nada adianta simplesmente aceitar ou rejeitar instantaneamente uma opinião, sem parar para refletir se o outro tem ou não razão.



Se você analisou bem a situação e manteve a ideia de que aquele realmente é o amor da sua vida, que te faz feliz e com quem você quer estar, é importante ter em mente que você não precisa fazer uma escolha por um ou por outro. Amar um homem ou uma mulher não reduz em nada o amor que você tem pela sua família, de modo que você não tem qualquer necessidade de escolher entre a família ou o namorado. É evidente que poderá haver eventos em que você estará com a família e não com o namorado. Eventos de família, por exemplo, poderão excluir a presença do seu namorado, assim como o aniversário do último excluirá sua família. Se você souber se dividir bem e conseguir dar atenção a ambos, tudo estará resolvido, ainda que a situação não seja a ideal.




É importante levar em conta um dado: os pais passam anos e anos fazendo escolhas pelos seus filhos. São eles quem decidem o que os filhos comerão, onde estudarão, a hora de dormir, o jeito de educar. Quando chega a hora em que os filhos começam a caminhar com as próprias pernas e tomar suas próprias decisões, muitos pais ficam inseguros, pensando que eles ainda não sabem qual o melhor a se fazer. E a escolha do namorado acaba passando por aí. É importante, então, que o filho possa conversar com os seus pais e mostrar que está tomando decisões maduras e pensadas, que sabe as consequências de seus atos e, principalmente, de que está feliz com aquela pessoa. Às vezes são necessárias várias conversas ou mesmo apenas de tempo para que sua família veja que você cresceu e saber o que quer.




A tendência é que, conforme o namoro avance e a família te veja feliz e realizado, tudo seja reconsiderado. É claro que sempre há casos de famílias que passam a vida rejeitando o genro ou a nora, mas há tantos outros casos em que tudo termina bem, com todos se adorando.


Fonte: Msn - Dra. Mariana Santiago de Matos

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